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04 agosto 2020

Molusco conhecido por 'dragão azul' é encontrado por salva-vidas em praia de Salvador

De acordo com o Ibama, esse foi o primeiro registro do animal nas praias do estado. Entretanto, especialista diz que aparição no litoral baiano é frequente.


Um tipo de molusco conhecido como dragão azul foi encontrado na última semana por um salva-vidas na praia de Jaguaribe, em Salvador. O animal é predador das caravelas e não oferece perigo ao ser humano.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), esse foi o primeiro registro do animal nas praias do estado.

Entretanto, a aparição do dragão azul, que vive no Oceano Atlântico, tem sido frequente nos últimos anos, apesar de rara no litoral baiano. A informação foi divulgada pelo doutor em Isologia, especialista em animais marinhos e professor da Universidade Federal de Alagoas / Penedo, Cláudio Sampaio.
“Nesse inverno, tem sido frequente ventos de sul e de leste, fazendo com que muitas águas-vivas, muitas caravelas apareçam nas praias. Nesse momento, o dragão azul pode estar nessas regiões, então, no ano passado, ele foi encontrado em Pernambuco; ele já foi encontrado em Alagoas e bastante na Bahia, neste ano. Em 2009, eu encontrei oito em Praia do Forte”, contou.
“Ele é um animal, quando a gente vai olhar os registros dele, ele está amplamente distribuído, mas são raros os registros. Ou seja, embora ele tenha registros em Pernambuco, na Bahia, em Alagoas, e até no Rio Grande do Sul, são registros pontuais”, disse o especialista.
O Glaucus atlanticus, conhecido por lesma do mar ou dragão azul, é mais visto na costa da Europa, África, água subtropical e tropical. De acordo com Claudio Sampaio, eles têm entre três e quatro centímetros, e deve ter chegado em Salvador por causa de desvio de correntes marítimas ou mudança de ventos.

“Isso se deve, por ser um animal pequeno, ele chega a ter por volta de 3 centímetros, a maioria, ele encalha na praia e pode ser soterrado, pode estar misturado com as caravelas e aí é um ponto importante, porque o dragão azul vive flutuando nos oceanos. Então, para a gente encontrar eles no habitat natural é bem difícil, porque ele é pequeno e na imensidão dos oceanos faz com que encontrarmos seja muito raro”, contou o biólogo.
“Só aparece na praia por conta dos ventos, dos ventos fortes, que fazem com que tudo que esteja flutuando, as caravelas, lixo, e todos os animais que estejam flutuando, alguns doentes, outros já mortos, eles encalhem, por conta da ação do vento”, disse.
Segundo informações de Claudio Sampaio, existem notícias falsas espalhadas nas redes sociais, que apontam o dragão azul como um animal que não vive no oceano e perigoso para o ser humano.
“Andou circulando nos grupos de WhatsApp, algumas vezes, um texto falando que eram animais invasores, que não eram nativos do oceano atlântico, o que não é verdade. A outra inverdade é que eles eram perigosos para os seres humanos, que como ele 'predava' as águas-vivas, as caravelas, eles potencializavam veneno desses animais, que também não é totalmente mentira”, contou.

Claudio Sampaio também informou que não há registros de pessoas no Brasil que se queimaram ou tiveram desconfortos ao pegar em um dragão azul.
“O que caracteriza um molusco? A concha. Quando a gente pensa em moluscos, a gente pensa em caracóis, ostras, e esses animais abriram mão das conchas e ficaram indefesos. A defesa natural do dragão azul é concentrar algumas cédulas urticantes de suas presas no corpo. São poucas células, então mesmo manuseando um dragão azul, o desconforto no habitat seria mínimo, porque apenas algumas células estariam ali".
A recomendação é de que os banhistas não mexam nos animais quando encontrá-los na areias. Geralmente, o dragão azul, assim como águas-vivas, encalham ainda vivos e depois acabam morrendo. Também existe a possibilidade dele ser levado de volta pela maré.

“Só que como se trata de um animal silvestre, um animal selvagem, extremamente frágil, bonito, com suas formas exóticas, a gente recomenda que você faça fotos e que você possa indicar a algum centro de pesquisa, museu, isso vai depender muito da região de onde você esteja”.

“Ele é pequenininho, frágil e pouco conhecido. Então, qualquer informação sobre esse animal é muito bem-vinda. Mas de forma alguma ele pode causar ferimentos, ele pode causar queimaduras, ele pode causar mal estar. O que a gente pede é que evitem o manuseio, por uma questão de respeito ao animal e porque ele não tem essa possibilidade de causar acidentes”.
O Ibama informou que monitora junto ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade a presença do animal na Bahia.

Por G1 BA

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