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13 julho 2020

Bolsonaro decide manter integrantes do 'gabinete do ódio' no governo

Mesmo após investigações, presidente decidiu pela continuidade de assessores do Planalto em cargos próximos


O presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) pretende manter em seus postos os principais integrantes do “gabinete do ódio”, como ficou conhecido o grupo de assessores do Palácio do Planalto que estaria por trás de ataques a adversários nas redes sociais. O departamento teria como comandante o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, a decisão do presidente se manteve mesmo após o avanço das investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) no inquérito das fake news. 

Na semana passada, o Facebook derrubou uma rede de 73 contas e perfis ligados a integrantes do gabinete do presidente, a seus filhos, ao PSL e a aliados, por “comportamento inautêntico coordenado”. 

Ainda de acordo com a publicação, Bolsonaro se sentiu pessoalmente atingido pela ação, já que a plataforma identificou ao menos cinco funcionários e ex-auxiliares que disseminavam ataques a adversários políticos, além de conteúdo com desinformação. O relatório do Facebook indicou Tercio Arnaud Thomaz, nome de confiança de Carlos Bolsonaro, como um dos responsáveis por movimentar perfis falsos. Tercio é assessor especial do presidente e integra o “gabinete do ódio” ao lado de José Matheus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz. 

Na live semanal da última quinta-feira, um dia depois da ação do Facebook, Bolsonaro saiu em defesa dos auxiliares e criticou a derrubada de páginas e perfis de aliados, sem se referir diretamente à empresa. "A onda agora é para dizer que as páginas da família Bolsonaro e de assessores, que ganham dinheiro público para isso, promovem o ódio. Eu desafio a imprensa a apontar um texto meu de ódio ou dessas pessoas que estão do meu lado", disse o presidente.

Na avaliação de assessores do presidente, o fato de aliados bolsonaristas serem alvo de mandados de busca e apreensão no inquérito que apura atos antidemocráticos, é necessário moderar suas intervenções nas redes sociais. A avaliação no Planalto é que o presidente vem perdendo seguidores nas redes com o crescimento de seu discurso radical. Segundo interlocutores, o próprio Bolsonaro teria admitido, em conversa com ministros e auxiliares diretos, que essa guerra digital desgastou o governo. No Planalto, a avaliação é a de que o ambiente precisa estar mais sereno.

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