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19 junho 2020

Polícia encontra cartaz do AI-5 em sítio onde Queiroz foi preso

A polícia também encontrou bonecos do filme "Scarface", do criminoso Tony Montana


Um cartaz com menção ao AI-5 foi encontrado ao lado de bonecos do personagem Tony Montana, do filme "Scarface", na casa de Frederick Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro, onde Fabrício Queiroz foi preso nesta quinta-feira (18).
 
As informações são da TV Globo. As imagens dos objetos foram feitas pela Polícia Civil de São Paulo, que foi até o local, em Atibaia (interior de São Paulo), para prender o ex-assessor do filho do presidente Jair Bolsonaro. Queiroz é suspeito de operar um esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O Ato Institucional nº 5 foi a mais repressiva medida da Ditadura Militar brasileira (1964-1985). Com o AI-5, o governo pôs fim a qualquer resquício de democracia no Brasil. O ato dava ao presidente o poder de fechar o Congresso Nacional, o que fez logo após a publicação do decreto.

A medida também resultou no fechamento das assembleias nos estados -com exceção de São Paulo- e renovou poderes conferidos ao presidente para cassar mandatos e suspender direitos políticos, agora em caráter permanente. Também foi suspensa a garantia do habeas corpus em casos de crimes políticos, contra a segurança nacional, a ordem econômica e a economia popular.

Tony Montana, representado pelos bonecos em cima da lareira da casa de Wassef, foi o personagem interpretado por Al Pacino no filme "Scarface" (1983), remake do longa de 1932, dirigido por Brian De Palma. No enredo, o protagonista cubano constrói um império da cocaína como chefe do tráfico em Miami, nos Estados Unidos. Ele estava no país em troca do asssassinato de um integrante do governo de Cuba.

O mandado de prisão de Queiroz foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro -ele não era considerado foragido. A prisão foi decretada porque promotores identificaram ações do PM aposentado para dificultar as investigações.

O ex-policial é suspeito de operar um esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde o hoje senador foi deputado estadual de 2003 a 2019. Queiroz atuou em seu gabinete na maior parte desse período, de 2007 a 2018.

A prática da rachadinha consiste em coagir os funcionários a devolver parte de seus salários. Flávio é investigado desde janeiro de 2018 sob essa suspeita. Os crimes em apuração são peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa.

A apuração relacionada ao senador Flávio Bolsonaro começou após relatório do Coaf indicar movimentação financeira atípica de Queiroz.

Além da quantia movimentada, R$ 1,2 milhão em um ano, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas do pagamento de servidores da Assembleia.

Queiroz afirmou que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete. Ele diz que usava esse dinheiro para remunerar assessores informais de Flávio, sem conhecimento do então deputado estadual. A sua defesa, contudo, nunca apontou os beneficiários finais dos valores.

Ao ser preso, Queiroz estava no imóvel de Atibaia. A casa pertence ao advogado Frederick Wassef. Responsável pelas defesas de Flávio e do presidente Bolsonaro, Wassef é figura constante no Palácio da Alvorada e em eventos no Palácio do Planalto.

A operação foi batizada de Anjo, apelido que o advogado ganhou na família Bolsonaro.

por FOLHAPRESS

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