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19 maio 2020

MPF é contra transferência de falso cônsul para hospital privado após Covid-19

Adailton Maturino foi atendido no Hospital Regional da Asa Norte (HRan), referência no Distrito Federal, onde passou por uma bateria de exames e, descartado o risco de complicações

O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou hoje (18) um parecer ao relator da Operação Faroeste no Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Og Fernandes, manifestando-se contra o pedido feito pelo falso cônsul da Guiné-Bissau Adailton Maturino, preso preventivamente, para que fosse transferido para um hospital privado em Brasília. 

Diagnosticado com quadro leve de covid-19 na última quinta-feira (14), o custodiado foi atendido no Hospital Regional da Asa Norte (HRan), referência no Distrito Federal, onde passou por uma bateria de exames e, descartado o risco de complicações, seguiu para tratamento em cela individual em ala recém-inaugurada no sistema prisional da capital federal.

Embora preso desde dezembro do ano passado, sem jamais haver solicitado atendimento médico ou ter informado qualquer histórico de doenças crônicas, Adaílton, em razão de uma crise hipertensiva, passou a alegar, no último dia 12, ser portador de hipertensão arterial e de diabetes. Ao ser atendido, no entanto, não soube informar sobre quais medicações fazia uso e, conforme exames clínicos, não apresentou alterações de glicemia (indicativo para diabetes), tendo sido devidamente medicado para tratar a hipertensão. A partir desses fatos, a defesa formulou pedido de tutela de urgência, requerendo a imediata transferência do preso para uma unidade hospitalar de sua escolha, a fim de ser acompanhado por médico da família.
“Não há nenhum tipo de fato novo idôneo a, neste momento, descredenciar a manutenção da custódia preventiva de Adaílton Maturino, sobretudo, estando evidente que ele está tendo acesso ao devido atendimento médico, com a comunicação de seu quadro de saúde à sua família e aos seus advogados”, conclui Lindôra Araújo, ao manifestar-se pelo indeferimento do pedido de transferência.
Maturino está preso por suspeitas de crimes como corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Conforme investigações que embasaram os pedidos das medidas cautelares, aceitos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), entre os beneficiários do esquema estariam quatro desembargadores da Bahia.

As informações já reunidas no inquérito revelaram, segundo o Ministério Público Federal (MPF), a existência de um esquema de corrupção praticado por uma organização criminosa integrada por magistrados e servidores do TJBA, advogados e produtores rurais que, juntos, atuavam na venda de decisões para legitimar terras no oeste baiano.

por Metro1

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