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20 agosto 2019

'Se o governo está relutante, cidades e estados têm de tomar a frente do cuidado com mudanças climáticas', diz cientista na Bahia



Carlos Nobre está entre os participantes da Semana Latino-Americana e Caribenha sobre Mudança do Clima, que começou nesta segunda (19), em Salvador. Evento reúne representantes políticos e de organizações que atuam na conservação do meio ambiente no mundo.

A participação de cidades e estados no cuidado com as mudanças climáticas, diante do que foi classificado como relutância do governo federal com relação ao tema, foi um dos destaques do primeiro dia da Semana Latino-Americana e Caribenha sobre Mudança do Clima. Promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o evento começou nesta segunda-feira (19), em Salvador, e vai sexta-feira (23).

"Se o governo federal está relutante, as cidades e estados têm que tomar a frente desse cuidado com as mudanças climáticas", afirmou o climatologista e pesquisador brasileiro Carlos Nobre, que é um dos participantes.

A semana no clima é o mesmo evento que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou em maio que seria cancelado, já que o Brasil havia desistido de sediar a Conferência do Clima da ONU, a COP 25, que ocorre em dezembro, no Chile. Dias depois, o Ministério do Meio Ambiente voltou atrás e informou que o evento na Bahia aconteceria.

Membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia Mundial de Ciências (TWAS) e da National Academy of Scicence (NAS), Carlos Nobre destacou em sua fala a necessidade de controle dos efeitos climáticos:

"Estamos notando um movimento anticiência, mas o fato de alguns ignorarem a ciência não quer dizer que o problema desaparecerá".

O climatologista falou sobre a importância do Acordo de Paris, tratado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) que rege medidas de redução dos gases estufa no mundo.

"Estamos alterando vários aspectos, como temperatura, fertilidade do solo, aquecimento dos oceanos, elevação do nível do mar, degelo do oceano ártico. Tenho esperança que o Acordo de Paris possa resolver a situação climática", disse.

De acordo com ele, o mês de julho de 2019 foi o mais quente no mundo desde meados do século 19. Além disso, continuou, houve um aumento do nível do mar de 25 centímetros, no último século, decorrente do derretimento das geleiras.

"Brasil e busca pela sustentabilidade devem caminhar sempre juntos. Se não caminharmos para um planeta neutro em carbono, o aquecimento global vai piorar muito", afirmou Nobre. 
Primeiro dia


Durante a abertura do evento, representantes políticos e de organizações que atuam na conservação do meio ambiente também falaram da importância do trabalho em conjunto entre sociedade e governos para o combate a mudança climática.

"É importante envolver as cidades, empresas e pessoas. Com vários atores participando, podemos fomentar e sermos multiplicador do cuidado com o meio ambiente", destacou o diretor da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), James Grabert.
O prefeito de Salvador, ACM Neto, disse que cada cidade deve dar sua contribuição para um meio ambiente mais equilibrado e preservado. "Temos que ultrapassar as ideologias e questões políticas. Esse é um tema que deve unir a todos", afirmou.

Durante o evento, o prefeito falou sobre o Plano Municipal de Adaptação e Mitigação da Mudança Climática, contratado com recursos do BID e que se inicia neste mês de agosto.

"Meio ambiente é economia. Ao longo dessa semana vamos anunciar a cada dia uma etapa do Plano. A prefeitura reafirma o compromisso com a sustentabilidade e uma cidade para sediar esse evento tem que dar o exemplo", disse ACM Neto.

Ao longo da manhã, além do prefeito, também participaram da Semana Clima o secretário da Cidade Sustentável e Inovação (Secis), André Fraga; o embaixador da Holanda, Kees Van Rij; o primeiro-secretário da Embaixada Alemã, Lutz Morgenstern; o diretor-regional do Grupo C40 de Grandes Cidades para Liderança do Clima (C40), Manuel Oliveira; e a representante da Sociedade Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), Ana Carolina Camara.


Durante a tarde, foi realizado um workshop sobre metas baseadas na ciência, discussões sobre o Painel Salvador de Mudança do Clima e um diálogo empresarial fechado ao público.

Houve ainda a assinatura de um manifesto escrito pelos alunos da Escola Municipal Marcos Vinicius Vilaça, que também são embaixadores da ONG alemã Plant-for-the-Planet Brasil.

Intitulado “Crianças e a ciência: uma aliança em nome do futuro”, o documento foi colocado à disposição para que os presentes pudessem apoiar colaborando com assinaturas. Entre as pessoas que colaboraram, está o climatologista brasileiro Carlos Nobre.

De acordo com o climatologista, este foi o manifesto mais importante que ele assinou na vida e o fato de partir de uma iniciativa de crianças torna o documento ainda mais relevante para a sociedade e para o futuro da humanidade.

"Houve um acordar geral da humanidade e essa é a geração que vai mudar. Daqui há dez anos eles já serão jovens adultos, empregados. Então essa geração tem que fazer o que minha geração não fez e as posteriores estão demorando muito para fazer", pontuou.
Carlos Nobre faz parte da equipe de estudos que vai subsidiar o Plano Municipal de Adaptação e Mitigação às Mudanças Climáticas, que teve seus trabalhos iniciados nesta segunda-feira, durante a Semana do Clima.

O documento visa construir estratégias para que a capital baiana enfrente os problemas ocasionados pelas mudanças climáticas, cada vez mais graves, sobretudo em áreas urbanas litorâneas. A ideia é que ele seja concluído até o primeiro semestre de 2020.

A capital baiana foi a primeira cidade da América Latina a assumir compromissos com o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, formado por gestores com o objetivo de implementar políticas e ações para redução das emissões e adaptação das cidades aos efeitos das mudanças climáticas.

 Fonte: G1 Bahia

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